COMO RECONHECER E CONTROLAR O ESTRESSE NA EQUIPE DE TRABALHO

 

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COMO RECONHECER E CONTROLAR O ESTRESSE NA EQUIPE DE TRABALHO.


Avaliar o comportamento humano para o diagnóstico de estresse requer habilidades em disciplinas específicas, como psicologia ou psiquiatria, além de experiência. No entanto, nem sempre as organizações têm acesso diário ao apoio desses profissionais para desenvolver e implementar um Programa de Controle de Riscos Psicossociais.

A organização do trabalho em qualquer atividade é um requisito fundamental para evitar o adoecimento, muitas vezes causado pelos fatores de risco psicossociais. Nesse sentido, a Norma Regulamentadora (NR 17) - Ergonomia, em seu item 17.4.1, destaca a necessidade de atenção especial aos seguintes aspectos no processo:

  1. As normas de produção;
  2. O modo operatório, quando aplicável;
  3. A exigência de tempo;
  4. O ritmo de trabalho;
  5. O conteúdo das tarefas, os instrumentos e meios técnicos disponíveis; 
  6. Os aspectos cognitivos que possam comprometer a segurança e a saúde do trabalhador (grifo meu).

Lima (2007) destaca que, na sociedade atual, o elevado volume diário de exigências profissionais, o caos urbano e a exposição frequente a situações de violência contribuem de forma significativa para o aumento dos níveis de estresse. Ele observa:


"O sedentarismo e o estresse são dois dos maiores fatores de risco para a vida do indivíduo e para as organizações." (Lima, 2007, p. 56 apud LIPP, 2004).


Nesse sentido, a mesma autora entende que quando uma pessoa não se sente bem, ela não consegue contribuir com seu máximo potencial, nem mesmo manter um relacionamento profissional satisfatório, pois a falta de motivação se faz presente. Essas condições aumentam proporcionalmente o risco de adoecimento.

Ainda, segundo Lima (2007, p. 56, apud Ferreira, 2000), o estresse laboral é resultado direto dos fatores estressores, os quais podem ser físicos (riscos físicos, químicos, biológicos) ou psicológicos, porém, todos derivam das condições em que o trabalho é exercido.

O trabalhador fica estressado quando percebe, no ambiente, algo capaz de intimidá-lo, em uma situação que não lhe permite responder como gostaria.

São exemplos disso: as preocupações decorrentes da atividade, os relacionamentos conturbados, a falta de habilidade técnica para cumprir a demanda, o medo de ser demitido, entre outros (Abdala, 2019).

O trabalho, em si, não é a fonte de estresse; pelo contrário, é benéfico.

No entanto, é preciso entender que as atitudes inadequadas que as pessoas tomam, juntamente com a desarticulação cognitiva, sim, são prejudiciais à saúde.

Conforme Lima (2007), segue abaixo uma lista dos principais sinais e sintomas de estresse:

Sinais Físicos

    • Dores de cabeça constante;
    • Dores no pescoço, ombros e costas;
    • Ansiedade;
    • Indigestão e Náuseas;
    • Dores articulares.


    Sinais Mentais


    • Perda da capacidade de concentração durante qualquer intervalo de tempo;
    • Sensação de isolamento;
    • Conversa negativa "consigo mesmo".


    Efeitos sobre o comportamento


    • Andar de um lado para o outro de forma inquieta;
    • Tiques nervosos, como esfregar as mãos;
    • Falar demasiadamente rápido e ir apressado para todo lado (mesmo quando não está atrasado);
    • Incapacidade de relaxar;
    • Fadiga constante;
    • Insônia;
    • Comer mais, fumar e beber.

Lima (2007) menciona que controlar os níveis de estresse é um dever de cada pessoa, o qual não pode ser terceirizado. 

É necessário desenvolver o hábito de buscar saúde, felicidade e qualidade de vida, tanto na vida pessoal quanto na profissional.

É comum a maioria acreditar que as coisas boas acontecem espontaneamente, sem muito esforço.

Uma vez caracterizados os principais sinais e sintomas do estresse no trabalho, observe a medida de controle proposta pela autora:

Programa de Ginástica Laboral (GL) - tem a capacidade de aumentar a motivação da equipe e reduzir os níveis de estresse, de acordo com o relato de Nieman (1999). Também é necessário modificar a percepção de intimidação para uma condição de amparo.

A ideia é incentivar a quebra do sedentarismo, estimular as pessoas a praticarem atividade física dentro e fora do trabalho, possibilitando uma percepção dos seus comportamentos, gestão da vida, alimentação, integração com os colegas, entre outros aspectos.

O que pode parecer um tempo desperdiçado para algumas pessoas (que usam como desculpa estar ocupadas demais para participar), para outras resulta na redução dos níveis de estresse, promovendo, paralelamente, uma mudança de estilo de vida e busca real por qualidade de vida.

Lima (2007) conclui que a descontração inteligente proporcionada pela GL traz o enorme benefício de equilibrar os fatores psicofisiológicos relacionados ao trabalho. Em alguns casos mais graves, pode ser necessária a intervenção de uma equipe multidisciplinar.


Opinião do autor:


Para implementar um Programa de Ginástica Laboral, aceito pela fiscalização trabalhista, é obrigatório que ele esteja sob a responsabilidade técnica de um(a) profissional habilitado(a) em Educação Física, Fisioterapia ou Terapia Ocupacional.

Em um ambiente laboral em que os processos não estão prescritos e bem compreendidos pelos trabalhadores, onde a desordem de materiais faz com que se perca tempo para realizar cada tarefa, ou pior, quando o posto de trabalho e as atividades não atendem aos requisitos normativos de saúde e segurança, certamente isso produzirá níveis de estresse acima da média. Nessas condições, a implementação da Ginástica Laboral não alcançará os resultados desejados.

Outras ações para diminuir os níveis de estresse incluem: adaptar o posto de trabalho ao trabalhador (e nunca o contrário), garantindo que a altura da mesa, a cadeira, a iluminação, a ventilação, o espaço físico, o ruído, o calor, o frio, as cores, entre outros fatores, estejam adequados, observando as normas técnicas.

Não é saudável que uma pessoa fique isolada em seu posto de trabalho. Sempre que possível, promova o convívio social.

A falta de treinamento e integração (ser apresentado(a) aos outros), principalmente entre os novos colaboradores, também gera desconforto e estresse.

É importante que cada pessoa saiba exatamente o que fazer, como fazer e por que fazer, e, quando houver algum problema, saiba a quem pedir ajuda.

Essas são as ações básicas que qualquer administrador poderá utilizar para diminuir os níveis de estresse de sua equipe.


Sobre o autor:

Jonas Eduardo Kraetzer
Especialista em Segurança do Trabalho e Ergonomia
Tecnólogo em Segurança do Trabalho
Técnico em Segurança do Trabalho
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